tropismos

Que aventura ler essa primeira novela de Nathalie Sarraute! (Publicado em 1939, com edição brasileira pela Luna Parque).

É um livro que se faz de preenchimentos, inteiramente. Não há bifurcações narrativas, apenas o mecanismo da atmosfera que respiram os personagens captados pela autora (ele, ela, eles, elas… “brotando de todos os cantos”).

Sarraute trabalha precisamente com uma matéria nuclear do romance moderno: os preenchimentos, puramente. Preenchimentos da vida, detalhes do interstício. Mas aqui, não são transição de nada, não querem distrair o leitor para o grande acontecimento narrativo, para o acidente trágico, para a revelação, para o clímax… Por si só, captam o dinamismo mais íntimo da vida em sociedade, com flagrantes de um cotidiano que nos é espantosamente familiar.

Que grande vanguardismo ao deslocar o magma romanesco (os detalhes flaubertianos) e deixá-los pairar no ar, despersonalizados, maquínicos… Como se houvessem ritmos fora do lugar, tece-se uma rede de sensibilidades, vozes díspares na multidão que escoam por esses fragmentos e abrem a linguagem a uma experiência etnográfica.

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