reflexo

julho 17, 2016 § Deixe um comentário

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uma breve narrativa cafona:

http://letrasinversoreverso.blogspot.com.br/2016/07/reflexo.html

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flash de sangue engolfada pela boca

julho 12, 2016 § Deixe um comentário

E penso que há blocos sonoros e táteis onde essas criaturas-eventos ocorrem.

Ali era o escuro da sala de cinema vasta pela sua solidão p&b. A música que fazem ecoar lá dentro me desloca para aqueles movimentos sonhados, a abertura de camadas sedimentadas pelos discursos dominantes, esfacelando-se, correndo pelo rio a paisagem interior; aqui eu te conheço, Manaus: brota-se um mundo, habita-o na língua alheia – o botânico alemão, o xamã caxinauá, os padres espanhóis, os portugueses com suas manias excessivas. O mundo é uma fera indizível, se diz numa canção.

Nada; nem as mensagens piscando nos bolsos, ou as ligações perdidas de alguma urgência inútil e familiar, e-mail de noticiário catastrófico ou demissões, me tiram das imagens que estão rodando. Entre o filme e nossos silêncios me intriguei com o corpo na outra extremidade da mesma fileira. Traços que se recortavam líquidos, com o lançar imprevisível das luzes da tela. Cabelos curtos, olhos como dois reflexos de estrelas-no-rio. Uma presença delicada e fictícia, sentada no tempo inexistente. Demorei muito naquele imaginar. Minha delicadeza ali, o verbo amoroso entre nós-silêncio, nos deixaríamos partir, que vida errada levávamos em São Paulo, será que ela perceberia, a minha delicadeza? Um estrondo nas luzes dessa câmara de ecos – o herói mutilado. Leva um soco na boca, bem no meio desta chuva da rainforest.

Depois que as luzes se acenderam a delicadeza sonhada se levantou, me olhou por instantes e sorriu; éramos só nós dois na sala, estivéssemos a frente da cidade, soubéssemos segredos; e depois foi logo em direção à saída, daí para o calor das ruas. Nos nossos passos me percebeu, pensei em segurar seu pulso, entrelaçar-lhe os dedos, mas seria ridículo, apenas disse “vamos nos mandar pra Manaus”. A minha delicadeza riu.

ótica

julho 4, 2016 § Deixe um comentário

Sempre tinha algum projeto em mente, vários ao mesmo tempo. E um dos que se realizou, com grande formosura, permanecendo completamente esquecido pelos vãos das sarjetas e quase invisível durante sua execução, tratava-se de uma intervenção no meio da praça comercial, com seu colete de explorador e mala-de-alça: distribuindo panfletos publicitários (mas que, se lidos, continham diversos poemas seus ou de outros escritores rearranjados a seu modo), enquanto gritava “ótica, ótica, ótica…” — o jeito mais admirável que encontrou de se expor, se rebaixar ao nível da rua do comércio para ganhar a vida. Mas no seu caso, obviamente, não havia qualquer tipo de remuneração.

Onde estou?

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