revoluções e esboço de um poema para 2015

–um poema depende do seu lugar de enunciação. (Não precisa ser versos, mas qualquer manifestação da língua que rotacione em mudança o sujeito). Aí quando penso na sua potência como discurso, na sua política, não sei o quanto de revolução para o corpo os textos no facebook proporcionam. Desconfio que pouco. Ainda mais qualquer coisa vindo de mim, com uma rede de amigos já devidamente definidos (e talvez às vezes pré-determinados, nada contra as pessoas que conheci graças ao facebook).

No compartilhamento de expectativas, o discurso vem determinado; a forma de apropriar-se dele. Mesmo que o maior poema do mundo fosse descoberto e postado aqui, seria um post a mais dentro de um oceano, ou piscina de clube, que não foi feito para o devir. E dificilmente se associa literatura, a revolução, ao potencial de transgressão que as palavras proporcionam.

Aí quando penso em 2015, vejo uma certa catástrofe. Às vezes, inclusive, perdoai, cômica. Num século sério. Peixes morrendo, famílias retirantes, escolas, carta de desabafo, polícia, dólar, fascismo, e toda informação filtrada até a tela do meu pc. Talvez não chegou aqui a lama. No futuro é certeza. Fica só esboço de um poema cronístico em homenagem a 2015 que eu ainda não escrevi. Mas queria muito; mínima revolução que fosse.

 

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