vinte e cinco de novembro

Uma folha cai e do outro lado um velho tosse no silêncio desse jardim circular.

Não sei bem o que me fez chegar aqui. Nunca sei quando estou a viver a vagabundagem das pernas. É apenas meter-se numa roupa e sair, esperar alguma coisa viva que se perceba. Entre as tosses, ele parece me encarar apesar de estar longe,  na outra extremidade do jardim vazio. Não compreende minha presença talvez; como se visse sua própria possibilidade de existência errante.

Aqui neste centro possível, começa um chuviscar leve e os pássaros até aludem a uma nostalgia de dias pacíficos.

Não sabia que as fotos de Viveiros de Castro, as calçadas, os metrôs, um livro de poemas desesperados, e mais um mar de corpos me levariam para até aqui. E como eu sempre estivesse a procurar geografias para escrever, até que me é familiar essas pedras vermelhas em caminhos cruzados, o gramado crescendo sutil, e a arquitetura das árvores; um velho; eu aqui, sentado.

*

intervalo na tarde de 25-nov.

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